A NATUREZA GEME e NÓS GEMEMOS e O ESPÍRITO GEME

A NATUREZA GEME e NÓS GEMEMOS e O ESPÍRITO GEME
“Sinais de vida da Terra estão a piorar e cientistas voltam a fazer um aviso”, Jornal Público, 2021julho28, Teresa Sofia Serafim.

2018julho21 Casamento Ana

 

Samuel R. Pinheiro

É com o coração pesado que escrevo esta partilha. Não se escreve de ânimo leve sobre as catástrofes que estão a assolar o planeta, principalmente quando acreditamos que o Criador fez tudo bem feito, e avaliou a Sua obra com um “muito bom”. Foi assim que o homem começou tendo um jardim como residência, incumbido por Deus para o guardar, cuidar e manter como mordomo.
As notícias multiplicam-se cruzando extremos das avalanches por precipitações de monta que em pontos minutos arrastam tudo na sua passagem, e no mesmo continente ou noutros continentes incêndios devastadores que já experimentámos no nosso país.
A Bíblia apresenta-nos a queda provocada pela desobediência do ser humano ao Criador, como a causa que ao longo da História continua a repetir-se. Depois do primeiro casal ter sido expulso do jardim, a rapidez da corrupção, violência, crime, prepotências precipitaram-se e o estado de coisas tornou-se insuportável para o próprio Deus. O que o destruidor pretendia era pôr um ponto final no plano de salvação já anunciado pelo Senhor dos céus e da terra quando se dirigiu ao tentador: “O descendente da mulher te esmagará a cabeça, enquanto tu lhe ferirás o calcanhar.” (Génesis 3:15b – O Livro).
Deus avisara sem margem para dúvida. “O SENHOR Deus pôs o homem no jardim do Éden para que o guardasse, cultivasse e cuidasse dele. E deu-lhe o seguinte aviso: ‘Podes comer de toda a árvore que está no jardim, exceto da árvore da consciência; porque o seu fruto é o do conhecimento do bem e do mal. Se comeres desse fruto, ficas condenado a morrer.’” (Génesis 2:15-17 – O Livro). O homem no uso do dom da liberdade fez o que Deus lhe ordenou não fizesse e a morte veio imediatamente no sentido espiritual, ético e moral; e fisicamente no fim da sua passagem terreste. Hoje temos uma noção crítica muito precisa de que isso afetou tudo, não apenas a humanidade, mas a própria natureza.
O livro publicado recentemente da biografia de António Guterres, Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, católico romano convicto e praticante, tem um título que mexeu comigo e que, no meu entender, está de acordo com o que a Bíblia nos mostra: “O Mundo Não Tem de Ser Assim”. Existem muitas razões que suportam biblicamente a afirmação:
- Deus é o Criador e Sustentador de tudo o que existe.
- O Antigo Testamento, dado antes da vinda de Jesus Cristo, contém várias orientações sobre o cuidado da natureza e da sociedade, de que destacamos o dia de descanso, o ano de descanso e o jubileu que ia muito mais longe de forma radical para o equilíbrio social da nação.
- Jesus Cristo agiu em amor, graça e poder curando enfermos, acalmando tempestades, alimentando multidões, trazendo à vida mortos e, acima de tudo, perdoando em linha com o que recentemente ouvi numa canção, mais ou menos assim, enterra o passado para o futuro possa desabrochar. No sentido do evangelho, de um homem novo e de uma sociedade nova, a Igreja. “Então eu, o rei, direi aos que estiverem à minha direita: ‘Venham, filhos felizes do meu Pai, para o reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo. Porque tive fome e deram-me de comer; tive sede e deram-me água; era estranho e convidaram-me para vossas casas; andava nu e vestiram-me; estive doente e cuidaram de mim; estive na prisão e visitaram-me.’
Esses homens justos perguntarão: ‘Senhor, quando foi que alguma vez te vimos com fome e te demos de comer ou com sede e te demos de beber? Ou, sendo um estranho, te hospedámos ou, estando nu, te vestimos? Quando te vimos alguma vez doente ou na prisão e te visitámos?’ E eu, o rei, lhes direi: ‘É realmente como vos digo: quando fizeram isso a um destes meus mais insignificantes irmãos, a mim o fizeram!’” (Mateus 26:34-40 – O Livro).

- A contribuição das muitas igrejas espalhadas à face da terra vai precisamente nessa linha. Sociedades e culturas transformadas por homens e mulheres que em Jesus nascem de novo, para uma nova vida que integra o trabalho, as relações sociais e de trabalho, a produção agrícola, a dignidade humana, a justiça e a equidade. Ainda há muito para fazer, mas preparamo-nos para o além intervindo segundo os valores éticos bíblicos adorando e louvando a Deus no cuidado para com o próximo. Leiamos os evangelhos, os Atos do Espírito Santo, e as cartas escritas bem como o livro da revelação do processo que culmina com novos céus e nova terra.
Terminamos com as palavras que o apóstolo Paulo aprendeu e registou do Espírito Santo: “Com efeito, considero que aquilo que somos chamados a sofrer agora nada é comparado com a glória que ele nos dará mais tarde. Porque toda a criação espera com ardente esperança esse dia futuro em que Deus dará a conhecer os seus filhos. Nesse dia, tudo aquilo a que o mundo ficou sujeito por causa do pecado desaparecerá. E todo o mundo à nossa volta participará da gloriosa liberdade que os filhos de Deus hão de desfrutar em relação ao pecado.
Porque sabemos que a própria natureza espera até agora esse tão grande acontecimento, como se estivesse com dores de parto. E até nós, os cristãos, ainda que tenhamos em nós o Espírito Santo como um antegozo dessa glória futura, também como que gememos para ser libertados da dor e do sofrimento. Nós também esperamos ansiosamente por esse dia em que Deus nos concederá, enfim, todos os direitos como seus filhos, incluindo novos corpos. Nós somos salvos em esperança. Quando se está a ver aquilo que se espera isso não é esperança, pois que esperança existe em estar já a ver aquilo que se espera? Mas quando esperamos o que ainda não vemos, esperamo-lo com paciência.
Semelhantemente, o Espírito nos ajuda na nossa fraqueza. Porque não sabemos o que devemos pedir, nem como pedir, mas o Espírito pede por nós, com gemidos tais que não há palavras que os possam exprimir. E o Pai, que conhece todos os corações, sabe na verdade o que o Espírito pretende ao interceder em nosso favor, em harmonia com a vontade de Deus.” (Romanos 8:18-27 – O Livro).
Samuel R. Pinheiro

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O QUE É A VERDADE?

O QUE É A VERDADE?

2018julho21 Casamento AnaSamuel R. Pinheiro

Aí está uma pergunta inteligente, pertinente e dirigida à pessoa certa! Infelizmente quem protagonizou esta iniciativa não esperou pela resposta que poderia mudar por completo a sua vida, embora exigisse simultaneamente uma mudança radical de rumo!
A pergunta foi formulada por Pilatos e dirigida à pessoa de Jesus a terminar uma interpelação sobre se Jesus era o rei dos judeus. A conversa é muito interessante porque Jesus usa as perguntas como resposta a Pilatos às suas próprias interrogações:
“Pilatos voltou para dentro do palácio e mandou que lhe levassem jesus. ‘És o rei dos judeus?’, perguntou-lhe.
Jesus replicou: ‘Perguntas isso de ti mesmo ou são outros que o querem saber?’
´Sou porventura judeu?’, replicou Pilatos. O teu povo e os principais sacerdotes é que te trouxeram aqui. Que fizeste?’
Então Jesus respondeu: ‘Não sou um rei terreno. Se o fosse, os meus discípulos teriam lutado, quando os judeus me prenderam. Mas o meu reino não é deste mundo.’
‘Então és rei?’, perguntou Pilatos.
Jesus respondeu: ‘Tens razão em dizer que sou rei. De facto, foi para isso que nasci. E vim para trazer a verdade ao mundo. Todos os que amam a verdade escutam a minha voz.’
‘O que é a verdade?’, perguntou Pilatos. Tornando a sair ao povo, anunciou: ‘Ele não é culpado de crime algum. Todavia, é vosso costume pedir-me que solte alguém da prisão todos os anos pela Páscoa.’ E perguntou: ‘Então, não querem que vos solte o rei dos judeus?’
Mas eles, em alta gritaria, responderam: ‘Não! Não soltes este, mas sim Barrabás!’ Barrabás era um salteador.” (João 18:33-40- OL).

Diante de Pilatos estava o único que lhe podia dar a resposta para a pergunta que bailava na sua mente e coração, e para a qual nunca tinha obtido uma resposta satisfatória. Jesus foi bem claro e objetivo: “(…) vim para trazer a verdade ao mundo. Todos os que amam a verdade escutam a minha voz.” Como Mestre dos mestres, como alguém que conhece o mais íntimo dos corações de todos os homens e mulheres, Jesus desvenda a razão pela qual as pessoas ouvem a Sua voz: “Todos os que amam a verdade escutam a minha voz.”
Amar a verdade significa desejá-la acima de tudo e de todos, e mantê-la independentemente das reações que se possam levantar contra ela, o que estava precisamente a acontecer com os religiosos em relação a Jesus. Os religiosos e a multidão estavam declaradamente contra a verdade, e o governador romano estava mais preocupado com a sua popularidade, com a acusação que podiam levantar sobre ele perante o imperador. Jesus declarara-se rei e isso era intolerável por parte de um cidadão sob o domínio de Roma. Mas Jesus não é um rei terreno, não é um rei deste mundo nem à semelhança das autoridades deste mundo.
Numa outra ocasião narrada por este mesmo evangelho Jesus disse para os Seus discípulos: “Sou eu o caminho. Sim, e a verdade e a vida. Ninguém pode chegar ao Pai sem ser através de mim.” (João 14:6 – OL). Numa outra oportunidade para os que entre a multidão criam Nele: “Serão verdadeiramente meus discípulos se viverem obedecendo aos meus ensinos. E conhecerão a verdade e a verdade vos tornará livres.” (João 8:31,32 – OL).
Ainda hoje é assim. A verdade em termos espirituais não é um postulado filosófico ou um enunciado religioso. A verdade é a Pessoa que criou os céus e a terra, que participou com o Pai e o Espírito Santo na criação do homem e da mulher, e que tomou a forma humana para nos dar a conhecer Deus e o Seu amor, o nosso estado deplorável porque fomos criados para refletir a glória do Senhor dos céus e da terra e fomos dela destituídos, e pela Sua morte nos trazer de volta à harmonia com o Deus trino. Você ama a verdade? Escute a voz de Jesus!

Samuel R. Pinheiro

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Ele será chamado pelo nome de EMANUEL

Ele será chamado pelo nome de EMANUEL

2018julho21 Casamento Ana

 

Samuel R. Pinheiro

É assim que no primeiro evangelho assinado por Mateus, logo na sua introdução, este nome é atribuído ao Filho de Deus, que nasceria pela ação do Espírito Santo no ventre da virgem Maria. Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: A virgem ficará grávida e dará à luz um filho que se há-de chamar Emanuel. Emanuel quer dizer: Deus está connosco.” (Mateus 1:22,23 – BPT)
Toda a Bíblia mostra que Deus nunca virou as costas ao homem e à mulher, criados à Sua imagem e semelhança. O homem preferiu fazer o contrário do que Deus lhe tinha dito para fazer, ao comer da árvore da ciência do bem e do mal. Nada diferente do que todos nós continuamos a fazer. A partir da primeira desobediência no jardim do Éden o comportamento do homem e da mulher, precipitou-se afastando-se cada vez mais da vontade divina. O problema do homem não consiste em não saber como deve viver. Tem uma consciência que lhe serve de bússola, tem os dez mandamentos e a revelação bíblica das consequências tipificadas na vida de homens e de mulheres em vários momentos e contextos.
A questão é mais profunda. Está dentro da sua natureza espiritual, no que o homem é. E isso não se muda pela parte de fora. Não basta a educação e a instrução, a doutrinação ou os constrangimentos socioculturais.
No plano divino a solução passava pela presença de Deus entre os homens, pelo Emanuel – Deus connosco! Jesus apareceu entre nós. Nasceu como todos os homens. Comeu à nossa mesa. Multiplicou e partiu o nosso pão. Bebeu do nosso vinho. Sentou-se à mesa com religiosos e pecadores. E, finalmente, usou o pão e o vinho como símbolos do Seu corpo e do Seu sangue, na Sua morte. Sim, experimentou a nossa morte. Não tinha de morrer, como não tinha de nascer como homem. Não tinha de ser rejeitado e ofendido. Não tinha que usar uma coroa de espinhos. Não tinha que ser julgado por um tribunal injusto. Não tinha que enfrentar políticos corruptos. Não tinha que responder às insinuações preconceituosas e hipócritas dos aparentemente poderosos. Não tinha que chorar as nossas lágrimas. Não tinha que ser acusado de fazer o que fazia pelo poder dos demónios. Não tinha que ser pendurado numa cruz. Não tinha que ser depositado num túmulo.
Mas veio. Não se poupou a nada. Sofreu tudo o que de pior poderia ter experimentado, às mãos das Suas criaturas. Com uma só palavra, um só gesto, um só pestanejar poderia reduzir a pós os Seus detratores. Mas como o profeta Isaías escreveu cerca de séculos antes da crucificação de Jesus: “O seu aspecto não tinha qualquer atractivo. Era desprezado e abandonado pelos homens, como alguém está cheio de dores e habituado ao sofrimento, e para o qual se evita olhar. Era desprezado e tratado sem nenhuma consideração. Na verdade ele suportava os nossos sofrimentos e carregava as dores, que nos eram devidas. Mas ele foi trespassado por causa das nossas faltas, aniquilado por causa das nossas culpas. O castigo que nos devia redimir caiu sobre ele; ele recebeu os golpes e nós fomos poupados. Todos nós vagueávamos como rebanho perdido, cada qual seguindo o seu caminho; mas o SENHOR carregou sobre ele as consequências de todas as nossas faltas. Foi vexado e humilhado, mas a sua boca não se abriu para protestar; como um cordeiro que é levado ao matadouro ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador, a sua boca não se abriu para protestar. Levaram-nos à força e sem resistência nem defesa; quem é que se preocupou com a sua sorte?”. (Isaías 53:3-8 – BPT).
Toda a crueldade, toda a injustiça, toda a maldade da raça humana está espelhada no modo como nós tratámos e nós ainda hoje tratamos a pessoa de Deus entre nós – Jesus Cristo, o Filho de Deus. De igual formam, do modo como O tratamos depende a nossa vida aqui e na eternidade. Se O aceitarmos e nos comprometermos com Ele temos a vida eterna. É aqui precisamente que o NATAL acontece. Jesus veio para mudar-nos por dentro, e levar-nos a uma nova vida. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Essa imagem e semelhança estão espelhadas de forma única em Jesus Cristo. É Nele e por Ele que essa imagem e semelhança são restauradas. Nascemos para sermos filhos de Deus e termos em Deus o nosso Pai.

Samuel R. Pinheiro

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É CASTIGO DE DEUS

É CASTIGO DE DEUS
2018julho21 Casamento Ana
RTP1 – reportagem de um canal suíço em Bérgamo, Itália (2020março30 – Jornal da tarde)
Declaração na ponta da língua de uma cidadã de Bérgamo para um canal de televisão suíço. Quem sabe? O Deus que vejo em Jesus não anda por aí a distribuir pandemias.
A minha análise destas catástrofes bem como de outras situações em que a manifestação do mal e do sofrimento estão presentes balizam-se pela cosmovisão cristã que entre vários autores cristãos são expressos nos seguintes termos:
- NEM SEMPRE FOI ASSIM.
- NÃO SERÁ ASSIM PARA SEMPRE.
- VIVEMOS ENTRE O JÁ E O AINDA NÃO.
- EM JESUS AGORA TEMOS REDENÇÃO E A CERTEZA DE QUE ESTARÁ CONNOSCO PARA LIVRAR-NOS DA ADVERSIDADE OU FICAR AO NOSSO LADO NA ADVERSIDADE.
Mas existem textos explícitos na bíblica em que o próprio Deus diz que enviou calamidades. Tudo o que acontece, acontece com a permissão divina. O propósito será sempre a oportunidade para mudarmos de rumo, para nos arrependermos e nos convertermos dos nossos maus caminhos. A escolha é do homem e da mulher. A escolha é nossa. Temos livre-arbítrio e temos uma razão, uma consciência e uma vontade. Temos igualmente ao nosso dispor, hoje mais do que nunca, a revelação divina que nos alerta e nos indica. Temos nessa revelação a pessoa de Jesus Cristo que invadiu a nossa História e nos mostrou Deus em carne e osso, de modo visível. O invisível tornou-se visível. O transcendente tornou imanente. Temos, acima de tudo, Deus que realiza o plano de Salvação por Ele traçado e em que Ele é o Redentor, o que morre e dá a Sua vida. No entanto as Escrituras não escondem o papel da multidão, do sinédrio, das autoridades romanas, e de toda a humanidade em todos os tempos e eras.
A minha perspetiva pessoal é que Deus nunca se exime ao Seu papel no planeta Terra. Deus é Deus. Nada nem ninguém O suplanta. Deus deu à humanidade livre-arbítrio. Podemos ler as narrativas como ação divina, e como intervenção dos agentes naturais e da humanidade. Quando Deus diz que é Ele, é porque é Ele. Mas no meu entender, não significa que aí não esteja implicada a responsabilidade humana e dos agentes naturais.
O que se pode dizer acerca do COVID19? Não temos autoridade para dizer que é castigo de Deus. É resultado de um mundo que sofre as consequências de uma humanidade em rota de colisão com a natureza divina, e o que acontece de mau é sempre uma oportunidade para o volte face humano, para nos convertermos, para mudarmos de rumo, para sermos solidários. Nunca por nunca ser nos tornarmos sobranceiros aos outros, nem sequer orgulhosos da nossa espiritualidade. Não há nenhuma razão para isso. Antes bem pelo contrário. Fomos salvos como toda a gente necessita ser salva. Vamos orar e agir. E neste caso particular o ficar em casinha já é uma contribuição decisiva. Depois temos a oração em favor de todos os homens e de todos os líderes das nações, pelos profissionais de saúde, segurança pública, a assistência social, as equipas de rua, os que asseguram serviços essenciais e todos os que trabalham em casa e fora dela. A todos, o nosso reconhecimento, principalmente a quem tem de assumir decisões difíceis para minimizar ao máximo as consequências da pandemia, e poupar o maior número possível de vidas.
Vivamos aqui e agora na certeza de em Jesus termos a vida eterna. Confessemos os nossos pecados, abandonando-os e passando a viver uma nova vida.
Samuel R. Pinheiro

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Deus e deuses

Deus e deuses

Paulo Branco

 

Pastor Paulo Branco

Mestre em Ciência das Religiões pela Universidade Lusófona

 
Indiscutivelmente o Homem tem criado ao longo dos séculos os seus próprios deuses, de acordo com os seus pensamentos, conceitos e imaginações. No seu pensamento, o Homem julga que domina tudo, que é poderoso, que é competente, que nada nem ninguém o pode impedir de fazer qualquer coisa, talvez como compensação da sua finitude, das suas incapacidades e limitações.
Por isso, desde sempre teve a necessidade de criar deuses pessoais, locais, regionais e nacionais; deuses de ocasião ou momento, deuses de conveniência, deuses que se deixam comprar, que são manipuláveis, que se podem ver e tocar. Deuses que se vendem, deuses que trocam favores, deuses que são hoje, mas não são amanhã, deuses para cada gosto, capricho ou ideia. Deuses que encaixam nas suas preferências ou cosmovisão.
Esse conceito, na realidade, pode ser verificado através de toda a história da Humanidade, através da lista indeterminável de deuses imaginados, criados ou adotados nos diferentes momentos da existência humana, nas mais diversas civilizações e regiões da terra. Encontramo-la desde o princípio da civilização com a construção da Torre de Babel (Génesis 11:1-9), e dos zigurates, ou seja, construções religiosas, que procuravam funcionar como portas para a vinda dos deuses à terra, e no intuito do homem alcançar o céu e mostrar o seu poderio.
Também na Suméria vemos os adeptos de uma religião politeísta, caracterizada por deuses e deusas antropomórficos, representando forças ou presenças no mundo. Está também presente nos deuses do Egipto, representados com cabeças de animal sobre corpos humanos, que dominavam todos os aspetos da vida no Egito, quer seja da realeza quer das pessoas comuns. A cultura do antigo Egito baseava-se na crença de um panteão dessas criaturas que eram adoradas pelo povo. As mais de 1500 divindades explicavam a criação do mundo, representavam as formas da natureza e outros aspetos da vida. O panteão grego e romano com a sua grande galeria de deus, adaptado e modificado através de uma enorme lista de divindades que se comportavam como criaturas humanas. Ou seja, eram cheias de ciúme, inveja, vingança, ódio e amor.
Daqui podemos passar para a adoção de um conceito semelhante, com outro nome – os denominados “santos” da igreja católica romana, para cada preferência e momento, que são como semideuses e supostos intercessores. Não esquecendo também o culto a Maria, em tantos santuários espalhados pelo mundo. O facto de uma mulher, humilde, virtuosa, simples e pecadora, como ela a si mesmo se intitula, ao orar e a chamar a Cristo Seu Salvador,(Lucas 1:46) se torna pela mão dos homens numa deusa mãe, tal como acontece nos cultos do Mediterrâneo, por ser colocada em certa medida a par de Cristo, como “co-redentora” (Actos 4:12), quando na pratica dizem: “Maria rogai por nós….e a maioria das orações vão para ela- Não esquecendo o deus deste século Lúcifer (2 Corintios 4:4), que também é adorado e reivindicado por muita gente, abertamente e no oculto.
Mas há outro deus que impera, Mamom – o deus do dinheiro. Infelizmente, muitos se deixam dominar por este e outros deuses equiparáveis. Alguns até tendo responsabilidades na liderança religiosa, de vários domínios, até do meio denominado evangélico ou cristão. Deixam-se seduzir pelo deus do dinheiro, o deus da fama, do autoritarismo, da vaidade, das maldições que proferem contra quem não aceita as suas doutrinas. O deus da “prosperidade à custa dos outros”, e que está presente no culto de muitos. Não quero esquecer ainda o deus vingativo de algumas religiões, que só os ama a eles, e manda matar, violar e destruir os demais. Ainda temos os deuses que dividem o povo em classes sociais ou castas, onde só uns quantos têm direitos e privilégios – vivem “da” miséria enquanto outros vivem “na” miséria.
Recentemente também vimos entronizar-se mais uma vez o deus do economicismo, cujos seguidores advogam que os velhos e doentes não devem viver, porque são um grande peso económico para a sociedade. Os seguidores desse deus, acham-se na autoridade e capacidade de colocarem fim à sua existência. Já para não falar do deus de alguns, que dizem que os fetos não são seres humanos, mas eles podem definir o que querem e como querem. Acham-se no direito de os despedaçar e matar. Ainda temos o deus do materialismo, o deus do ateísmo, que vendo e comprovando as evidências não acredita em nada, e terminando no desporto, especialmente na nossa realidade o futebol e os clubes que são os deuses de muita gente e que em nome dessa religião chegam a insultar, prejudicar, odiar e até matar, quem não segue esse deus.
Finalmente, o deus dos que pregam e ensinam que o Coronavírus foi enviado por Deus como vingança. Quero dizer que não me revejo nem neste nem nos demais deuses. O Deus da Bíblia, em quem acredito, criou o Homem e, por sua vez, o homem criou os seus deuses, e assim estragou tudo levando pessoas a não acreditar em Deus por causa das suas atitudes e obras.
A Bíblia através dos seus livros revela esta triste realidade. Mas o mais importante é que ela fala de uma solução divina. Vejamos:
“Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus”
(1 Timóteo 2:3-5)
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigénito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
“Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo.” (Romanos 10:8)
“ Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam”. Actos 17:30
Soli Deo Gloria!
Paulo Branco, 14 de Abril de 2020

VERDADE ABSOLUTA

VERDADE ABSOLUTA

 2018julho21 Casamento Ana

            A verdade ou é absoluta ou não é verdade. Verdade relativa é um contra censo. A minha verdade tem de ser a verdade de todos ou então não é verdade. Não existe isso da minha verdade e a verdade dos outros. Ou é verdade ou não é verdade.

            A questão da verdade sempre interpelou os homens. Muitos deles infelizmente não se deixam interpelar o suficiente por ela e não esperam ou não se detêm o suficiente para serem informados acerca dela.

            O evangelho dá-nos disso um exemplo na pessoa de Pilatos que diante de Jesus questionou acerca do que é a verdade. Só que retirou-se sem ouvir a resposta. Melhor dizendo retirou-se sem acolher a própria verdade que estava diante dele em carne e osso.

            Em termos de fé a verdade é fundamental. Fé na mentira leva à morte. Só a fé na verdade é genuína e autêntica. Só a fé na verdade é verdadeira.

            Jesus Cristo apresentou-se como a verdade. Ou seja na fé cristã a verdade é uma pessoa, não uma fórmula matemática, física ou química. A verdade não é um axioma filosófico. A verdade não é uma figura de linguagem literária. A verdade é Cristo. Ele mesmo o disse. Ele mesmo o provou. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14.6).

            Jesus Cristo é a origem de toda a realidade. Ele é o Criador e o Sustentador de todas as coisas. Todo o Universo tem o seu fundamento n’Ele. Foi Ele que o trouxe à existência. 

            A verdade que não é vivida não se conhece efectivamente. Só conhecemos por dentro a verdade quando ela é interiorizada e expressa nos actos do quotidiano.

            Quando os absolutos morais e éticos são questionados e colocados em causa, vive-se ao sabor do vento, das conveniências, do prazer imediato. Quando o relativismo invade e assenta arraiais no domínio ético e moral, perde-se o rumo, instala-se a confusão e domina a morte da ausência de sentido e propósito. Quando a verdade absoluta dos valores e dos princípios é descartada não há campanha sobre as consequências dos actos que vingue e dê os resultados esperados. Quando Deus é esquecido, posto em causa, remetido para as rotinas dos rituais religiosos sem qualquer interferência na vida do dia a dia, os absolutos morais e éticos desaparecem e são substituídos por outros absolutos contraditórios como é o caso da tolerância que não mais capaz de se insurgir e denunciar a mentira, e da afirmação que “tudo é relativo”.

            Como cristãos evangélicos seguidores de Jesus Cristo afirmamos que Ele é a verdade absoluta e que pela Sua vida e ensino temos valores e princípios espirituais, morais e éticos absolutos sem os quais a morte se instala eternamente.

            A exigência de Cristo é nada mais, nada menos, do que a perfeição do Pai no amor: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mateus 5.43-48).

            Não é possível a santificação quando a verdade absoluta é descartada. A santidade é ferida no seu âmago quando se nega a possibilidade da verdade. Para Jesus a santificação é possível pela verdade da palavra divina. Foi assim que Ele orou ao Pai: “Santifica-os na verdade: a tua palavra é a verdade.” (João 17.17). Quando teólogos, filósofos e outros que tais negam a Bíblia como Palavra de Deus, ao sabor da corrente do pluralismo e do relativismo, atacam o cerne do propósito de sermos à semelhança de Deus: “Sede santos, porque eu sou santo.” (1 Pedro 1.16). A santidade é a vida vivida na verdade que é Cristo em amor.

            O evangelho de Jesus casa a verdade com o amor. Essa conjugação é declarada de forma inexcedível e em toda a sua crueza, na cruz em que Cristo morreu. Ali está a verdade da ruína e morte que o pecado produz, a justiça absoluta de Deus e o Seu amor em graça e perdão para connosco. É assim que devemos crescer em tudo como membros da Igreja segundo o dizer de Paulo pelo Espírito Santo: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo, (…).” (Efésios 4.15).

            A verdade em amor não é a negação do pecado e dos pecados, mas a sua denúncia segundo a graça, a misericórdia e a justiça do Deus que é santo. Todo o pecado tem perdão segundo o evangelho, menos o pecado de não reconhecer o pecado e de aceitar o perdão que só Jesus nos pode dar porque morreu em nosso lugar, sofrendo sobre si a penalidade do pecado. “Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós. que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus.” (1 Pedro 1.17-21).

            É na verdade que Cristo é e que Ele declara, viveu, pela qual morreu e ressuscitou, que encontramos a genuína liberdade. É possível ser verdadeiramente livre na verdade de Jesus. Livres da mentira do pecado, do absurdo, da morte, do vazio, da desesperança, da ausência de sentido e propósito.

            A verdade absoluta existe. A verdade absoluta é Jesus. Neste tempo de pluralismo e relativismo declaramos sem quaisquer reticências essa verdade. Fora dela estamos irremediavelmente perdidos por toda a eternidade. Resistamos como discípulos de Jesus às investidas da cultura pluralista e relativista, seguindo a verdade em amor.

 

Samuel R. Pinheiro

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E se Cristo não ressuscitou…

E se Cristo não ressuscitou…
2018julho21 Casamento Ana
 Não estamos a citar uma obra cética, ateia ou agnóstica, nem tão pouco um comentário religioso islâmico que nega a morte de Jesus na cruz, e portanto, a Sua ressurreição.
A Bíblia poupa os céticos ao trabalho de tentar identificar o “calcanhar de Aquiles” do evangelho e do cristianismo. Sem ressurreição não temos evangelho nem cristianismo. O evangelho permanece de pé ou cai face ao facto histórico da ressurreição de Jesus. É o apóstolo Paulo que assim escreve quando se dirigiu pela primeira à igreja em Corinto na sua primeira carta inspirada pelo Espírito Santo, no grande capítulo da ressurreição: “E se Cristo não ressuscitou então a vossa fé é inútil e vocês ainda estão sob condenação por causa dos vossos pecados.” (v. 17 – OL). O apóstolo continua de forma enfática “E se a nossa esperança em Cristo é unicamente pra esta vida nós somos as pessoas mais miseráveis no mundo.” (v. 19,20 – OL). Para logo mais afirmar taxativamente: “Mas o facto é que Cristo ressuscitou mesmo dentre os mortos e se tornou o primeiro entre os milhões que um dia voltarão a viver!” (v. 20 – OL).
Vários tentaram a tarefa de provar que Jesus não ressuscitou dos mortos. Um deles está registado no livro Quem Moveu a Pedra?, escrito por Frank Morrison, um periodista inglês que se dispôs a demonstrar que a história da ressurreição de Cristo era um mito. As suas investigações levaram-no à fé no Cristo ressuscitado. O primeiro capítulo tem o título sugestivo “O livro que se negou a deixar-se escrever”. Muitos outros tentaram esta façanha e esbarraram com as evidências que percorrem todo o Novo Testamento. Aliás, não é possível explicar a Igreja sem a realidade da ressurreição.
A ressurreição, é o principal de todos os sinais da singularidade e exclusividade de Cristo. Todos os grandes vultos da história da humanidade morreram e os seus restos mortais estão aí a comprová-lo. O túmulo de Jesus está vazio!
Teria sido muito fácil, demasiado fácil, acabar de vez com a igreja nascente e o testemunho intrépido dos discípulos, fazendo desfilar o corpo do Nazareno pelas ruas de Jerusalém. Ninguém o fez porque não o podiam fazer. Os religiosos judeus só não o fizeram porque não era possível fazê-lo. Os romanos também alinhariam nessa prova incontestável para limpar a afronta do selo romano quebrado na sepultura porque um anjo removeu a pedra, transportando-a para cima, com um peso calculado em duas toneladas, segundo a obra Evidência que Exige um Veredito (volume 1), de Josh McDowell, e dos guardas que desertaram com a insinuação religiosa de que os discípulos tinham vindo de noite, e roubado o corpo. Que vexame para a bem preparada escolta militar romana. Ao contrário os discípulos estavam dispostos a sofrer o martírio por causa daquilo que sabiam ser a verdade e que em consciência não podiam negar, isto depois da sua debandada após a crucificação do Mestre. Como alguns apologetas cristãos referem, alguém pode estar disposto a morrer por algo que pensa ser verdadeiro quando é algo, mas ninguém se dispõe a morrer por algo que sabe ser mentira.
Maomé também tentou passados sete séculos reescrever a história no seu ponto fulcral, negando que Jesus tivesse morrido, e portanto também não teria ressuscitado. Logicamente decidimos pelo testemunho dos discípulos de Jesus, do que por algum depoimento ou revelação depois de tantos séculos.
Na realidade o mais importante da ressurreição de Jesus é que ela vem acompanhada com milhões de testemunhos de pessoas que foram transformadas pelo mesmo poder que o ressuscitou. Paulo fala disso na sua carta aos Efésios: “E, mais ainda, para se darem conta do ilimitado poder que dispõe a nosso favor, nós os que cremos em resultado da ação dessa força divina que nos transformou. Esse poder grandioso foi também o que ressuscitou a Cristo, levantando-o dentre os mortos e colocando-o à direita de Deus nos domínios celestiais e acima de todo e qualquer chefe e autoridade, acima de todo o poder e governo que possa existir. Deus colocou tudo o que existe no universo sob a autoridade de Cristo, e fez dele a cabeça de todas as coisas, para benefício da igreja, a qual é o seu corpo; é ele que a enche com a sua presença, como também enche todas as coisas em todo o lugar.” (Efésios 1:19-23 – OL).
A ressurreição é a certeza da nossa esperança, o seu fundamento sólido. “Porque Ele vive posso confiar, porque ele vive não temerei” é a letra de uma música evangélica em torno desta verdade. A Sua ressurreição é a nossa certeza de vida eterna, que começa aqui e permanece para todo o sempre nas moradas que nos foi preparar. O capítulo quinze da primeira carta aos Coríntios termina com este brado de júbilo: “Como estamos gratos a Deus por tudo isso! Foi ele que nos tornou vitoriosos por meio de Jesus Cristo nosso Senhor!” (v. 57 – OL).
Samuel R. Pinheiro
www.jesus-o-melhor.com

“Se Deus é bom…” Um estudo sobre o mal, o sofrimento e a justiça

“Se Deus é bom…”
Um estudo sobre o mal, o sofrimento e a justiça

Raquel Pinheiro 2por Raquel Viegas Pinheiro

Monografia elaborada para a   Disciplina “Apologética” no 3º ano do MEIBAD – Instituto Bíblico Monte Esperança
docente Samuel Pinheiro

FANHÕES
2017-2018

 

 

 

ÍNDICE

INTRODUÇÃO 1
I. PORQUE EXISTE O MAL? 2
1. O que é o mal? 2
2. Quem criou o mal? 2
II. PORQUE EXISTE O SOFRIMENTO? 4
1. Que mal fez eu para merecer isto? 4
2. Qual o propósito do sofrimento? 5
III. PORQUE É QUE DEUS NÃO FAZ JUSTIÇA? 7
1. Porque Deus poderoso não destrói o mal e o sofrimento? 7
2. Se Deus é bom porque não faz justiça? 9
CONCLUSÃO 11
BIBLIOGRAFIA 12

 

INTRODUÇÃO
Este trabalho foi realizado no âmbito da Unidade Curricular “Apologética” lecionada pelo docente Samuel Pinheiro, e tem como objetivo principal exibir um estudo acerca do mal e do sofrimento relacionando com a justiça divina. É pretendido responder a questões dentro desta temática que geralmente são levantadas questionando a fé.
A escolha deste tema teve origem num diálogo com uma senhora durante uma campanha evangelística, esta duvidava da existência de Deus porque que Ele não fez o seu trabalho quando um homem raptou uma criança, no seu ponto vista se Deus existisse teria cortado os braços àquele individuo. Este exemplo tem uma ligação direta tanto com o mal moral, como com o sofrimento e também com a justiça de Deus.
Admito com segurança que o sofrimento e o mal moral têm sido obstáculos à aceitação do evangelho devido ao conceito errado generalizado. A questão das “crianças que morrem à fome em áfrica” é apenas um grão de areia nesta temática, porque a grande dificuldade é quando o sofrimento e o mal atingem pessoalmente. Creio que se mostrarmos o ponto de vista Bíblico, o de Deus, podemos levar as pessoas ao Cristo que sofreu por elas.
A metodologia utilizada para a realização desta monografia inclui quatro etapas: 1) pesquisa e análise de bibliografias (enciclopédias, dicionários, comentários e outros); 2) seleção de informações relevantes para a temática, retiradas da bibliografia; 3) desenvolvimento do conteúdo; 4) Formatação e revisão final.
O trabalho está dividido em três grupos principais:
1. Porque existe o mal?: É indicado o conceito de mal moral e a sua origem.
2. Porque sofremos?: O mal e o sofrimento tem uma relação muito próxima. Sendo que neste ponto será explorado o sofrimento como consequência do mal. É explicado qual é o propósito divino quanto ao sofrimento e a coabitação deste com Deus.
3. Porque é que Deus não faz justiça?: Neste ponto assume-se a existência de Deus, do mal e do sofrimento. É abordado a “inatividade” aparente de Deus quanto a este problema, é questionada a omnipotência e bondade divina.

I. PORQUE EXISTE O MAL?
1. O que é o mal?
Há três formas de relacionar Deus com o mal:
1. O mal existe mas Deus não (ateísmo);
2. Deus existe mas o mal não (panteísmo);
3. Tanto Deus como o mal existem.
Negar o mal é um conceito monista ou panteísta: o mal é apenas algo que parece ser mas não é; é uma ilusão e não uma realidade. Mas se o mal não é real é porque os sentidos são completamente indignos de confiança e não existe qualquer diferença entre a dor ilusória e real, mas esta ideia não parece corresponder à realidade, antes pelo contrário, parece ser meramente algo que homem gostasse que fosse verdadeiro. O mal, é algo quase palpável, é universal e é real.
Se o mal existe, como podemos defini-lo? Norman Gleiser defende que o mal não é em si mesmo uma substância, mas na sua definição está implícita a ausência do bem que deveria estar presente mas por alguma razão não está. Agostinho citado por Gleiser define o mal como algo “corrupto”, mas a corrupção acontece quando algo bom por natureza sofre perda de pureza.   Isto remete-nos ao jardim do Éden onde o Homem era bom por natureza mas ao pecar perdeu essa natureza boa e agora é mau por natureza.
Se não podemos definir o mal como “algo” mas sim como uma ausência não é possível atribuir a criação do mal a Deus.   Mas onde podemos encaixar o mal no meio de Deus e de um plano de criação perfeitos?
2. Quem criou o mal?
Aparentemente o texto de Isaías 45:7 apresenta Deus como criador do mal, mas à luz do contexto da passagem este mal é melhor traduzido como desgraçada ou julgamento e não se aplica no sentido moral. À luz da Bíblia, Deus não é mau (1Jo 1:45) e é moralmente perfeito (Mt 5:48).
A Bíblia é clara ao afirmar que Deus não criou um mundo com sofrimento ou males (Gn 1-2), atualmente o mundo não é igual ao estado original (Gn 3:16-22). “O homem trouxe o mal para si por escolher egoisticamente seu próprio caminho à parte do de Deus.”  O mundo está num estado anormal, o homem tem natureza pecaminosa, o mundo não está como Deus “queria” que estivesse (Rm 5:19; Gn 6:5-6;11-12).
Geisler apresenta que um dos requisitos para sermos criação perfeita era ter a liberdade inserida no pacote. E quem tem liberdade, tem escolhas, e uma dessas escolhas é decidir entre fazer o bem ou não fazer o bem (ou seja, o mal). Enquanto “Ele faz com que o mal seja possível; nós fazemos com que o mal seja efetivo.” Com Satanás aconteceu a mesma situação, ele foi criado com poder de escolha para poder amar Deus livremente (amor forçado não é amor, é estupro ) mas ele tornou-se a primeira causa do pecado através do seu próprio livre-arbítrio.  Podemos afirmar que quem criou o mal foi Satanás, os anjos caídos e nós próprios quando optámos por não escolher o bem que Deus criou.

II. PORQUE EXISTE O SOFRIMENTO?
1. Que mal fez eu para merecer isto?
O sofrimento pode derivar: do julgamento divino, como consequência do pecado de Adão ou de Satanás.
a) Julgamento divino
Será que o sofrimento pessoal está diretamente ligado ao pecado pessoal? Será que Deus castiga sempre que se peca? Em Salmos 103:10-11 e Lamentações 3:22 indica que Deus sempre trata os Seus com misericórdia apesar do pecado . A própria salvação é algo misericordioso porque todos merecíamos a condenação (Rm 3:23), mas agora podemos ser considerados inocentes por meio de Cristo (Rm 1:8).
Hindus defendem que o sofrimento individual é o resultado do mal individual (Karma) no cristianismo esta ideia também pode estar presente. É corrente perguntarem “que mal fez eu para merecer isto?”. Não se pode descartar o conceito de sofrimento como castigo divino  (ex: Miriã, Arão, Ananias e Safira), porque este é real à luz da Bíblia mas em diversos casos não há qualquer ligação, Deus até colocou na Sua Palavra um livro (Jó) que é dedicado ao problema do sofrimento e apresenta que este nem sempre é causa do pecado. Jesus explicou aos seus discípulos esta mesma ideia quando estes questionaram a razão da cegueira de um homem, Jesus foi claro ao afirmar que o pecado pessoal não era o motivo (Jo 9:1-3).
b) Pecado de Adão
“Quando as almas se tornam perversas, elas certamente fazem uso desta possibilidade para se ferirem umas às outras.”
A maioria do sofrimento deriva de más escolhas. Por vezes são consequências naturais dos pecados e erros, se alguém roubar um banco naturalmente que será preso, se alguém comer um iogurte estragado naturalmente irá ter uma indigestão. A prisão e a indigestão são sofrimentos que derivaram de uma má escolha e nem sempre é necessariamente julgamento divino. Outras vezes o sofrimento é infligido por terceiros, por vezes diretamente, se alguém matar propositadamente outro, ou indiretamente por exemplo se o governo tomar más decisões que podem prejudicar outros que lhes são desconhecidos.
“O mal invadiu toda a personalidade humana.”  Por causa do pecado Adão, o mundo ficou contaminado com a dor, a morte, o mal e o sofrimento (cp Rm 5). Mas por causa da obediência de um (Jesus), muitos podem ser justificados perante Deus.
c) Satanás
Satanás é tanto culpado do mal como o Homem e Ele pode causar doenças e sofrimentos mas os filhos de Deus têm imunidade condicionada pela permissão ou não de Deus (Tiago 4:7). Apesar da sua derrota na cruz ele ainda exerce influência sobre o homem, principalmente sobre os não regenerados.
2. Qual o propósito do sofrimento?
A Bíblia é clara quando nos ensina que há coisas que sempre nos serão ocultas mas que Deus sabe todas as coisas, Ele com a Sua soberania escolhe o que deve ser ou não revelado (Dt 29:29). Podemos não compreender no momento a razão do sofrimento mas isso não significa que não haja um bom propósito.
É claro através dos exemplos que Bíblia apresenta que o sofrimento de alguém pode contribuir: 1) para o bem maior como aconteceu com José (Gn 50:20) ou 2) para crescimento espiritual como aconteceu com Jó (Jó 23:10).  Mas em ambos os casos eles só entenderam o propósito muito depois de passarem pelo sofrimento.
Não há dúvida de que o sofrimento como o megafone de Deus é um instrumento terrível, podendo levar à rebelião final, que não dá lugar ao arrependimento. Mas ele fornece também a única oportunidade que o perverso pode ter de emendar-se. Ele remove, o véu, planta a bandeira da verdade na fortaleza de uma alma rebelde.
“Todos (…) vivemos num mundo caído, onde o sofrimento (…) faz parte do mesmo de um modo generalizado. Não podemos explicar o sofrimento individual.”  Ser crente não garante vida sem sofrimento, por vezes este ainda sofre mais que o descrente (cp. Sl 73:3-5), mas garante uma esperança que ajuda a passar o sofrimento.
É correto afirmar que este mundo não é o melhor que existe, pois existem guerras, assassinatos, etc. Atrás já foi justificado o motivo do mundo ser assim. Mas é necessário também compreender que a vida neste mundo é temporária. Assim como a “tribulação é uma condição prévia à paciência”  , “o mundo é uma condição prévia da perfeição.”  Hoje, este mundo não é o melhor, porque o pecado degradou-o (não Deus), mas é sem dúvida o caminho que Deus arranjou para chegarmos ao melhor mundo (o céu).
Ao estudar o sofrimento do cristão corre-se risco do apresentar como algo bom mas deve-se ter em mente que este “não é bom em si mesmo. O que é positivo para o sofredor em qualquer experiência penosa é a sua submissão à vontade de Deus e, para os expectadores, a compaixão despertada e os atos de bondade a que esta os leva.”
Deus não é um ser cujo sofrimento é algo incompreensível para Ele, não O podemos culpar por não saber o que é sentir o sofrimento, porque na verdade Deus fez-se Homem e sofreu como Homem para impedir o sofrimento eterno do Homem (Is 53:3; Hb 2:18, Hb 4:15). Ver Deus como totalmente bom pode ser um teste à nossa fé.
O maior sofrimento do homem é o sentimento de culpa por estar longe de Deus, porque o pecado corrói a essência da felicidade, retirando esse sofrimento por meio de Cristo, todos os outros são mais suportáveis.  Deus sempre se preocupou em resolver a suprema dor do Homem que leva à dor eterna.
Em suma, a existência de Deus não impede o sofrimento individual, ainda que este não seja o plano inicial de Deus, Ele pode ter bons propósitos para a permissão do sofrimento: levar o pecador ao arrependimento, para um bem maior, para o crescimento pessoal ou para evitar um mal maior.
III. PORQUE É QUE DEUS NÃO FAZ JUSTIÇA?
A tendência do Homem sempre será culpar a alguém pelo seu sofrimento, mal e desgraça. E no fim do esquema, encontra-se Deus. Mas esse Deus, que tanto é culpado, fez algo que nenhum homem já faria, Jesus que é Deus assumiu a culpa do erro do Homem (2 Co 5:21).
Mas quando as pessoas colocam em causa a justiça de Deus, na sua mente tem uma destas questões: se Deus pode todas as coisas porque não faz justiça? Se Deus é bom porque não faz justiça?
“A liberdade de Deus consiste no fato de que nenhuma outra causa além dEle mesmo produz os seus atos e nenhum obstáculo externo os impede — que a sua própria bondade é a raiz de que todos eles brotam e sua própria onipotência o ar em que todos florescem. “
1. Porque Deus poderoso não destrói o mal e o sofrimento?
Se o mal não foi derrotado e o sofrimento exterminado então é porque o Deus não é todo poderoso.
Em primeiro lugar é necessário rever o termo omnipotência divina. “A sua onipotência significa poder para fazer tudo que é intrinsecamente possível, e não para fazer o que é intrinsecamente impossível.”  É claro que Deus pode fazer tudo (Lc 1:37), mas Ele não é limitado por este atributo, temos de entendê-lo à luz da Sua soberania, do Seu amor, da Sua Justiça e todos os outros atributos.   Ele podia exterminar a humanidade toda nos tempos de Noé mas como Ele é justo e amoroso, Ele poupou os justos. Apesar da Sua omnipotência permitir que Ele o fizesse, Ele escolheu o que queria fazer: poupar Noé e a família (Gn 6:8-9).
Em segundo lugar, há duas formas de destruir o mal:
1) Destruindo o livre-arbítrio: para o mal ser destruído, primeiro a liberdade tinha de ser destruída na totalidade. Será que queremos viver sem liberdade? Sem liberdade vivíamos felizes? Se destruirmos a liberdade para destruir o mal, “essa destruição seria má em si mesma.”
2) Destruindo a humanidade: Para um trabalho completo, Deus ao eliminar o mal, teria que eliminar “as nossas falhas em praticar o bem”, quem de nós iria sobreviver a essa limpeza?
Em terceiro lugar, apesar de não poder ser destruído agora, temos de admitir que um dia Deus irá derrotar o mal, Deus já começou este trabalho quando revelou na sua lei o que era errado (Ex 20); deu discernimento para distinguir o certo do errado (Rm 2:12-15); dotou-nos de capacidade para fazer o certo (Rm 8:2-4); entregou Jesus à morte para derrotar oficialmente mal na cruz (Cl 2:14-16) e um dia Jesus voltará para derrotar efetivamente todo o mal (Ap 19-22).   O mal apesar de real, é temporário, irá haver nova vida onde não haverá choro, ranger de dentes, sofrimento e dor.  Paul Little afirma que é possível resolver o problema do mal a nível pessoal aceitando a obra redentora de Cristo e ser nova criatura (2 Co 2:17).
Se Deus não pode destruir o mal, não pode ao menos criar um mundo melhor, onde cada um manipulasse a “matéria” a seu gosto para não sofrer?
C.S Lewis apresenta um ponto de vista interessante, temos de reconhecer que a matéria que nos rodeia neste mundo pode ser simultaneamente agradável para uns e desagradável para outros. Por exemplo o mesmo monte, para aquele que sobe torna-se desagradável para o desce torna-se agradável.  A chuva para o agricultor em tempos de seca torna-se agradável, a chuva para o construtor de casa torna-se desagradável. Se o Deus todo poderoso torna-se toda essa matéria boa para todos, teria que eliminar a capacidade que o Homem tem de se agradar ou desagradar, basicamente seriamos todos iguais e que incrivelmente ficaríamos contentes com tudo o que Deus definiu que nos dava felicidade. Todos gostávamos de sardinha temperadas com vinagre.
E se Deus todo poderoso impedisse que a matéria fosse mal usada, anulando a possibilidade do sofrimento? Se Deus tornasse o errado impossível, o livre-arbítrio seria eliminado, algo que já foi considerado mau em si mesmo. Deus o faz ocasionalmente, isso é chamado de milagres, mas não é uma regra, porque Deus não quer Homens sem poder de escolha.
Deus é todo poderoso, mas Ele tem vontade e sabe o que é melhor para o Homem.
2. Se Deus é bom porque não faz justiça?
De um lado, se Deus é mais sábio do que nós, o seu julgamento deve diferir do nosso sobre muitas coisas, e não apenas sobre o bem e o mal. O que nos parece bom pode então não ser bom aos olhos dEle, e o que nos parece mau pode não ser mau.
Esta é uma afirmação que é preciso ter em mente antes de estudar a bondade divina.  Talvez o conceito de “bom” seja limitado a “algo que faça feliz”. E se Deus é bom porque não faz a todos felizes? Duas razões:
1) Eliminaria o livre-arbítrio (ideia já explorada)
2) Há uma fenda muito grande entre o que “faz feliz” e o que é “bom”. Os pais para educaram os seus filhos preferem que eles “sofram” com um castigo do que passem por caminhos desprezíveis e desvairados. (cp. Hb 12:7-11)   No fundo optam por um sofrimento a curto prazo para evitar um sofrimento a longo prazo.
Ele é o oleiro e o Homem é o barro (Is 64:8), a relação criador-criatura é algo incomparável. E o “vaso” não tem o direito de questionar o oleiro durante o seu trabalho (Rm 9:20), porque se o oleiro coloca todo o seu amor e dedicação, temos de reconhecer que para uma obra prima perfeita é necessário tempo, esforço e momentos dolorosos.   Quem é o Homem para dizer que não existe um bom propósito por trás do sofrimento?
Deus é Justo. Por isso existe o céu para quem quer viver com este Deus amoroso e o inferno para quem não quer viver com Deus. Deus não força ninguém a coabitar com Ele. Sabemos que o desejo de Deus é que todos se salvem (2 Pe 3:9), mas Ele quer que o façam livremente. Deus não salva pessoas a qualquer custo (forçando as pessoas), e um inferno é “um lugar que não foi absolutamente feito para homens”.
A exigência de que Deus deva perdoar tal homem enquanto permaneça como é, está baseada numa confusão entre tolerar e perdoar. Tolerar o mal é simplesmente ignorá-lo, trata-lo como se fosse bem. Mas o perdão precisa ser tanto aceito como oferecido (…) a pessoa que não admite a culpa não pode aceitar perdão.
A bondade de Deus não pode pôr em causa a Sua justiça, e Ele fará a justiça a seu tempo, na eternidade. Lembrando que um dia Ele irá reinar com vara de ferro (Ap 12:5). E será que o Homem realmente deseja que Deus “faça justiça” imediata cada vez que ele peque? Todos seriam alvos da ira de Deus mas foi“o próprio Deus que, (…) resolveu fazer a propiciação (…) através da pessoa de Jesus Cristo e apaziguar a sua própria ira” . É a Sua bondade que permite o perdão de pecados, que permite um novo começo a todas as criaturas que foi expressa no calvário.
Êxodo 3:7-8 claramente nos mostra um Deus que ouve os clamores do seu povo e tem misericórdia daqueles que estão em sofrimento. Deus é bom e não está apático ao sofrimento da Sua criação.
CONCLUSÃO
O sofrimento e o mal são questões bastante sensíveis porque incluem uma parte muito pessoal e privativa das pessoas. Não é uma temática que eu considere que é possível discutir apenas teoricamente, porque geralmente quando alguém nos questiona sobre isso é porque já sofreu ou é próximo de quem já sofreu algo. As pessoas estão cheias de cicatrizes e feridas abertas e muitas pessoas atribuem a culpa a Deus porque não sabem a quem mais culpar. Claro que estas questões devem sempre ser respondidas apresentando um Deus que não é mau nem tem prazer no sofrimento das suas criaturas.
“A vida de Jesus significa, realmente, que ele é a fotografia de Deus, mandada aos filhos errantes, pecadores, tendo nela escrito: ‘Voltem para casa’.”
Na minha ótica a “cartada final” ou até a única que pode levar alguém a compreender esse Deus amoroso da Bíblia é apresentar o servo sofredor, que “foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados.” (Is 53:5) Esse Deus, que fez-se homem sabe o que é sofrer física e psicologicamente, Ele não está indiferente ao nosso sofrimento, porque Ele “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tronando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” (Fp 2:6-8).
Deve-se mostrar que o maior sofrimento do Homem é o facto de estar longe de Deus, e que sarando esse sofrimento, os outros são mais fáceis de ultrapassar, porque é nos dado uma esperança de um mundo melhor (Rm 8:18-25). Não este como conhecemos, mas um lugar sem dor e sem sofrimento (Ap 21:1-8). A justiça parece não estar ser feita, mas Deus é justo e um dia Ele irá fazes justiça a todos os que fizerem sofrer a Sua Igreja (2 Ts 1:6-12).
Ao abordar o sofrimento, o mal, e a justiça temos que ter a consciência que não possuímos a resposta para tudo, porque não compreendemos os planos de Deus, e como nos exemplos apresentados, a razão do sofrimento individual por vezes só é entendida anos depois ou na eternidade com Deus.
Oferecendo uma esperança de salvação às pessoas feridas, pode ser um caminho para ultrapassar o sofrimento que ainda fere as suas vidas.
BIBLIOGRAFIA
GEISLER, N., & BROOKS, R. (2015). Respostas aos Céticos. Rio de Janeiro: CPAD.
GEISLER, N., & FEINBERG, P. (1996). Introdução à Filosofia. São Paulo: Vida Nova.
GEISLER, N., & HOWE, T. (1999). Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão.
GITT, W. (2003). Perguntas que sempre são feitas. Bielefeld: CLV.
JONES, S. (s.d.). Cristo e o sofrimento humano. São Paulo: Metodista.
LEWIS, C. (1986). O Problema do Sofrimento. São Paulo: Vida.
LITTLE, P. (1985). Explicando e Expondo a fé. Queluz: Núcleo.
MCDOWELL, J. (1990). Respostas àquelas perguntas. São Paulo: Candeia.
REFERÊNCIAS
i  (GEISLER & FEINBERG, Introdução à Filosofia, 1996, p. 255)
ii  (GEISLER & FEINBERG, Introdução à Filosofia, 1996, p. 256)
iii  (GEISLER & BROOKS, Respostas aos Céticos, 2015, pp. 62-63)
iv  (GEISLER & BROOKS, Respostas aos Céticos, 2015, pp. 62-63)
v  (GEISLER & HOWE, Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia, 1999, p. 279)
vi  (MCDOWELL, 1990, p. 181)
vii  (GEISLER & BROOKS, Respostas aos Céticos, 2015, p. 64)
viii  (GEISLER & FEINBERG, Introdução à Filosofia, 1996, p. 261)
ix  (GEISLER & BROOKS, Respostas aos Céticos, 2015, p. 65)
x  (LITTLE, 1985, p. 141)
xi  (LITTLE, 1985, p. 141)
xii  Quando este acontece, é bastante evidente para quem peca. Ele não castiga sem advertir  (Am 3:7)
xiii (LITTLE, 1985, pp. 138-139)
xiv  (LEWIS, 1986, p. 64)
xv  (LITTLE, 1985, p. 143)
xvi  (JONES, p. 153)
xvii  (LITTLE, 1985, p. 143)
xviii  (GEISLER & BROOKS, Respostas aos Céticos, 2015, p. 68)
xix  (GEISLER & BROOKS, Respostas aos Céticos, 2015, p. 69)
xx  (LEWIS, 1986, p. 47)
xxi  (GITT, 2003, p. 17)
xxii  (GEISLER & FEINBERG, Introdução à Filosofia, 1996, p. 260)
xxiii  (GEISLER & FEINBERG, Introdução à Filosofia, 1996, p. 260)
xxiv  (GEISLER & FEINBERG, Introdução à Filosofia, 1996, p. 260)
xxv  (LEWIS, 1986, p. 79)
xxvi  (LITTLE, 1985, p. 142)
xxvii  (JONES, pp. 154-155)
xxviii  (GITT, 2003, p. 17)
xxix  (LEWIS, 1986, p. 18)
xxx  (LEWIS, 1986, p. 13)
xxxi  (LEWIS, 1986, p. 13)
xxxii  (GEISLER & BROOKS, Respostas aos Céticos, 2015, p. 66)
xxxiii  (LITTLE, 1985, p. 137)
xxxiv  (GEISLER & BROOKS, Respostas aos Céticos, 2015, pp. 66-67)
xxxv  (MCDOWELL, 1990, p. 181)
xxxvi  (LITTLE, 1985, p. 137)
xxxvii  (LEWIS, 1986, p. 16)
xxxviii  (LEWIS, 1986, p. 24)
xxxix  (LEWIS, 1986, p. 18)
vl  (LEWIS, 1986, p. 20)
v  (LEWIS, 1986, p. 21)
vi  (LEWIS, 1986, p. 90)
vii  (LEWIS, 1986, p. 88)
viii  (STOTT, A Cruz de Cristo, p. 155)
viv  (JONES, p. 156)

“O EQUÍVOCO” DE CAMUS E OS ERROS DO MESSIANISMO

“O EQUÍVOCO” DE CAMUS E OS ERROS DO MESSIANISMO

JTP26

© João Tomaz Parreira

O entendimento da peça de teatro “O Equívoco” de Albert Camus e do desenlace final da mesma, é capaz de nos fazer pensar em um paralelismo bastante arrojado, reconheço, com os erros do Messianismo dos dias de Jesus Cristo. Em que medida é que se ensaia essa ligação, é o que veremos.
Literatura e teologia podem estar de mãos dadas, como nas obras de C.S.Lewis, ou no “Paraíso Perdido” de John Milton. Se o que estiver a ligá-las, mesmo subliminarmente, for também a historiografia bíblica.

Todavia, “O Equívoco” não tem rigorosamente nada a ver com teologia. Mas confere-nos uma ideia por contiguidade e por metáfora também. O drama, ou melhor, uma tragédia moderna, diria doméstica, foi escrita e representada em 1944. Insere-se no estudo camusiano sobre o Absurdo.
O mal entendido – como se apelida em francês-, representa um erro familiar por atitude de torpe ganância, materializada no roubo de uma fortuna e que leva ao assassinato do próprio filho da casa, que não é reconhecido quando chega.

A preocupação de Camus com este tema, parece ter sido uma evidência que o perseguia, porquanto no célebre romance “O Estrangeiro” -, talvez a obra-prima do autor argelino-francês – tem uma história similar. Na Checoslováquia, um homem partiu para fazer fortuna e regressou depois, passados anos, a casa, à família que sempre o esperou. No regresso a casa, propondo-se alugar um quarto exibe uma grande quantidade de dinheiro, porém não tendo sido reconhecido, a mãe e a irmã matam-no para o roubar.
Camus regressa à tragédia, agora em peça teatral. Uma mãe e uma irmã esperam o filho e irmão que partiu para longe. Esperam que regresse.
- Ele há-de voltar.- diz a Mãe
-Ele disse-lhe que sim? – pergunta a filha
-Disse. -responde a Mãe.
Assim começa a Cena Primeira ( Livros do Brasil, “Calígula seguido de O Equívoco”, s/data, 175).
Quando ele chega, não o reconhecem como filho nem como irmão, não repararam bem nele para o seu crime ser perfeito e não deixar traços trágicos na consciência. O importante, era o visitante ser um homem de fortuna, sozinho, ao que apuraram.
Mãe, é preciso matá-lo.- diz Marta ( a filha)
“Não há dúvida que é preciso matá-lo. – responde a mãe.
“ É mais fácil matar o que não se conhece”- afirmou a Mãe

É aqui que somos levados à aparente ambivalência histórico-bíblica da espera do Messias, por parte do judaísmo, mais do domínio político e social, do que teológico. O Filho do homem sem beleza nem formosura, aparentemente só, para um Reino que vivia apenas do ritual. E assim, foi fácil levá-lo à crucificação porque não o conheciam, quem era aquele que se fazia passar por filho de Deus e rei dos judeus?: De facto, “é mais fácil matar o que não se conhece”.
Israel aguardava um messias para um reino e não um Cristo para a salvação da alma e do corpo. Também, se quisermos ir mais longe no plano evangélico, o autor terá ido à origem da parábola evangélica do filho pródigo, embora esta tenha o desfecho feliz.
Uma boa resposta para isso, encontramo-la nos versículos 10 e 11, do conhecido “No princípio era o Verbo” do prólogo do Evangelho de João. “Estava no mundo(…), e o mundo não o conheceu.” “ Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.”
Mas tal como na peça de Camus, Jesus Nazareno, o Filho e o irmão,  foi morto. De um ponto de vista extra jurídico, como sabemos, pelas irregularidades cometidas pelos judeus, foi humanamente assassinado pela lei mosaica.
Finalmente e sem meias palavras, o próprio apóstolo Pedro, no seu discurso do Pentecostes, afirma-o: “Este Jesus Nazareno (…) tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos.” (Actos, 2,23).
Por vezes, como neste caso, a Literatura coloca-se ao serviço da teologia e da historiografia bíblica e retoma da religião a sua visão do mundo. #

“Crer é também pensar”

“Crer é também pensar”

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Desde muito cedo, ainda adolescente, numa fase da vida em que todas as perguntas e dúvidas se agitam dentro de nós, que comecei a assumir que a Bíblia é a Palavra de Deus e que ela não teme as nossas perguntas, e que é possível crer com a nossa razão e também com o nosso coração, de corpo, alma e espírito inteiros. Apesar da fé ir muito para lá da nossa razão, e o coração ter razões que a razão desconhece, nunca admiti que a fé fosse não inteligente ou um salto no escuro, muito menos o cultivo do obscurantismo. Não havia dinheiro para muitos livros embora em casa sempre eles tiverem um lugar privilegiado. Ainda assim socorria-me da biblioteca do liceu, e procurava ler o que lá havia sobre a matéria da fé e da razão. Nas aulas de educação moral e religiosa católica romana a que era por lei obrigado a assistir, tinha “orgulho” em ser considerado um exemplo de uma fé lúcida e instruída. Os meus pais apoiavam-me. A igreja das assembleias de Deus de que era membro em Coimbra, cidade dos estudantes, impulsionava o princípio bíblico de uma fé esclarecida e fundamentada na Bíblia. A Palavra de Deus é ela própria um estímulo à reflexão e ao questionamento. De entre os pastores que me ajudaram destaco os nomes de José Pessoa e António Costa Barata. Tive também o privilégio de pertencer a uma geração de pessoas que pensavam pela sua cabeça observando a Bíblia como regra de fé. Fui para a faculdade e apesar de alguns verem ali um perigo para a minha fé, nunca me passou pela cabeça, que a Bíblia pudesse ser abalada pelos argumentos do ceticismo.

Retirei o título deste texto de um pequeno livro no tamanho, mas grande no conteúdo e nas suas implicações, de John Stott. Paul Little tem um livro que fundamenta as minhas convicções – “Saiba o que Crê & Saiba Porque Crê”. Sonho com uma nova geração em Portugal que seja guiada e impulsionada por estes valores intrinsecamente bíblicos, devidamente preparada para apresentar a razão da esperança que tem, porque Jesus é a razão da nossa esperança que não se confina ao tempo, mas se projeta por toda a eternidade. Como Paulo podemos dizer “sei em quem tenho crido”! Outros autores de referência que não devem perder: C. S. Lewis, Josh McDowell, Norman Geisler, Ravi Zacharias, Lee Strobel, Timothy Keller, Alister McGrath, Augusto Cury, …

Hoje, já feitos os 60 anos, continuo a pensar do mesmo jeito com muitas mais provas da minha própria experiência pessoal. Tenho uma biblioteca muito mais vasta, dezenas de livros de apologética, autores contemporâneos e do passado, mas o livro por excelência é e sempre será a Bíblia. O argumento, a prova viva por excelência é a pessoa de Jesus. Não acredito que a natureza tenha criado uma inteligência do nada, apenas para chegarmos à conclusão de que não existe nenhuma inteligência, sentido, propósito e desígnio na nossa vida. Mas Jesus é a Pessoa absolutamente convincente. Modelo, Senhor e Salvador. Ele chega-me. Se quero saber se Deus existe e quem é, como lida com o sofrimento e o mal, o presente e o futuro eterno, como se relaciona connosco, quem somos e para onde vamos, etc. há um sentido sempre prioritário: JESUS (Ele não tem – é a resposta!).

 

Samuel R. Pinheiro

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