A PROBABILIDADE DE SER POEMA

A PROBABILIDADE DE SER POEMA

JTP23© João Tomaz Parreira

1Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος, καὶ ὁ λόγος ἦν πρὸς τὸν θεόν, καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος.”

Após séculos de discussão sobre o chamado problema da autoria do Quarto Evangelho, era moda na Alta Crítica dizer que o Jesus de João era o produto de um processo teológico oriundo da própria Igreja Primitiva, querendo negar assim a autenticidade histórica do autor João e do seu acompanhamento do Mestre, como um dos Doze.
A era da crítica acadêmica foi aberta com os trabalhos de K.G. Bretschneider
( 1776-1848) no que concerne a autoria de Evangelho. Bretschneider questionou na sua obra sobre o Evangelho de João a probabilidade autoral (in “Probabilia”).
Um paradoxo para chamar a atenção da própria a autoria apóstólica desse Evangelho, argumentando, pelo menos, sobre a topografia do autor que ele não poderia ter vindo da Palestina. Seguindo Hegel, houve também quem no século XVIII considerasse o Quarto Evangelho como um trabalho de síntese, isto é, do género de tese e antítese. O Evangelho de João foi chamado de “Evangelho Espiritual”, mas nunca um evangelho filosófico, ainda que iniciando-se de um modo que agradaria aos gregos.
Tais discussões sobre a autenticidade autoral estão agora mais serenas. Ainda bem porque podem abrir outros caminhos mais interessantes, deslocando-se para o que parece ser um poema inicial o Prólogo joanino.
É dado como historicamente certo que o Prólogo tenha sido uma necessidade para dar resposta às grandes questões do espírito no que concerne ao Cristianismo versus Filosofias gnósticas do Século I.
Estruturalmente,  ele surge como um prefácio, mas as raízes de um certo lirismo, senão na forma pelo menos na fonética e no ritmo, estão lá.
No início do comentário ao Evangelho Segundo João, o tradutor de “Bíblia – Novo Testamento” e dos “Quatro Evangelhos”, Frederico Lourenço afirma que “o texto grego (o Prólogo) não é um poema”.
De facto, a poesia em língua grega do Século I era, entre outros requisitos da poética,  reconhecida pelas unidades rítmicas, o que não é o caso do 1º verso, mas o nosso ouvido – também afirma FL- reconhece uma certa musicalidade, um certo ritmo pela combinação de algumas palavras. Lido o versículo em causa, quer na língua grega, quer na nossa própria língua, há um ritmo inegável.
No que diz respeito ao texto grego, aprecie-se o primeiro grupo (Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος) que é combinatório com a última expressão (καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος)  Esta última linha completa a primeira, à qual regressa.
“No princípio era o Lógos / (…) / E era Deus o Lógos”.  Expressão nossa para não fugir à melopeia e à quase poética pelo ritmo. Existe aqui uma unidade rítmica e melódica, uma linha de poema. No fundo o verso (versu, vertere), na sua concepção milenar, acaba por ser uma tautologia, algo que começa e retorna ao ponto inicial, porque verso designa um movimento de regresso.
Contudo, quer este verso inicial quer todo  o conjunto do Prólogo joanino não é, como se chegou a pensar, um poema para agradar ao Gnosticismo. Nem visto apenas à superfície do texto, nem atomisticamente.
Uma quantidade imensa de material riquíssimo é o que encontramos nos primeiros 18 versículos do Prólogo de João.
A “Encyclopedia Americana resume, no que concerne ao Prólogo, várias páginas de douta e vasta bibliografia sobre o tema, e afirma a influência grega que o Evangelista teve, tornando-se evidente que “os primeiros versos são obviamente um poema à maneira dos Estóicos”. É, contudo, uma conclusão que, do ponto de vista da Poética seja ela de Aristóteles ou, posteriormente, de Horácio, não resiste a uma análise, como vimos, dos constituintes do poema. Mais certo será afirmar que o Prólogo se apresenta sob a forma de “um hino cantado na comunidade joanina (em Éfeso?), antes de ter sido colocado como início do Evangelho”.  A beleza e a estética dos primeiros cinco versos (1-5 inclusivé), estão lá, porque abrem as portas da Eternidade para dar passagem ao Verbo ou Lógos que vem até ao Homem, até a pungência do Tempo.

© João Tomaz Parreira

“Bem-aventurada aquela que te concebeu e os seios que te amamentaram!”

“Bem-aventurada aquela que te concebeu e os seios que te amamentaram!”

SamuelPinheiro 2017abril11

Palavras de uma mulher dirigidas a Jesus, a respeito da sua mãe Maria.
Jesus de uma forma surpreendente, mas sem deixar de ser cortês e amável, alargou esta declaração e bem-aventurança a todos os que ouvem a palavra de Deus e a guardam: “Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam!” (Lucas 11:27,28 – JFA).
Numa outra ocasião alguém avisa Jesus que Sua mãe e Seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe. Jesus responde com uma pergunta e com uma declaração com o mesmo sentido: “Quem é minha mãe e meus irmãos? E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe.” (Mateus 12:46-50 – JFA).
Numa das suas últimas conversas com os discípulos Jesus diz-lhes e a nós também: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.” (João 15:14 – JFA). E o que é que Ele manda: “O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” (Mateus 15:12 – JFA). “Isto vos mando, que vos ameis uns aos outros.” (João 15:17 – JFA).
O mandamento síntese de toda a lei, e a essência da natureza divina na qual fomos formados à Sua imagem e semelhança e da qual nos apartámos em rebeldia que ainda hoje permanece e entra pelos olhos dentro, é o amor.
Não é o amor que nos salva. Mas é Deus que é amor, em Jesus Cristo – Deus entre nós também como Homem, que nos salva mediante a expressão suprema desse amor que é a Sua morte em nosso lugar na cruz. Nenhum outro morreu por nós ou podia sequer morrer. A nossa morte não poderia ser redentora porque todos, sem exceção, pecamos. Só Aquele que nunca pecou e em que o amor é uma constante absoluta e santa, sem qualquer contaminação, nos podia salvar e nos salvou. Em Jesus somos salvos para amar.
Um intérprete da lei interpelou Jesus acerca de qual é o grande mandamento da lei. A esta pertinente questão Jesus respondeu: “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento, e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Diante desta resposta o teólogo que sabia muitíssimo menos do que Jesus, mas sabia o suficiente da lei para perceber que o Mestre estava certo, assumiu: “Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ele é o único, e não há outro senão ele; e que amar a Deus de todo o coração, de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo, excede a todos os holocaustos e sacrifícios.” Na narrativa deste evangelho a conversa acaba de um modo muito significativo mas não totalmente satisfatório. Jesus declara ao religioso: “Não estás longe do reino de Deus.” (Marcos 12:28-34 – JFA). Estava perto, mas não fazia parte. Conhecia a letra da lei, mas não conhecia o coração de Deus. O que faltava era determinante: o amor de Deus manifesto a Seu favor quando Jesus morresse na cruz também a Seu favor. Só Jesus nos pode salvar. Jesus na cruz é o holocausto e o sacrifício perfeitos e definitivos. Somos amados para poder amar de verdade e em verdade! Nada mais é preciso!
Se amamos a Deus desta forma cumpriremos os primeiros três mandamentos da lei: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura (…). Não as adorarás, nem lhes darás culto (…). Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão (…).” (Êxodo 20:1-7 – JFA). Se amamos o próximo como a nós mesmos cumpriremos os restantes sete mandamentos: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar (…). Honra a teu e a tua mãe (…). Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás (…).” (Êxodo 20:8-17 – JFA). Amando a Deus só a Ele adoraremos e louvaremos. Só a Ele teremos como Senhor e como Salvador. E esta é a parte decisiva para entrarmos no Seu reino: recebermos da Sua parte o perdão de todos os nossos pecados, porque todos ficamos aquém da Sua vontade e não temos como em nós próprios de regressar à condição com que fomos criados, e mais do que isso a sermos filhos de Deus. Tudo isso só é possível em e por JESUS CRISTO! Tudo isto para vivermos em amor como o nosso Criador e Pai.

Samuel R. Pinheiro
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A PRIMEIRA DÚVIDA DA MULHER SAMARITANA

A PRIMEIRA DÚVIDA DA MULHER SAMARITANA

JTP19

A leitura superficial que fizermos, sem olhar a circunstâncias senão as da própria diegese (narrativa pura e simples), diz-nos que a primeira pergunta da mulher de Samaria junto ao poço de Jacob, foi por uma questão de espanto por uma linha divisória quebrada.
Contudo, com uma simples petição (dá-me de beber), Jesus  declarou que a separação entre os povos em geral, e judeus e samaritanos em particular, tinha os dias contados. A pergunta da Samaritana reflectiu inconscientemente o espanto desse sucesso, isto é, que uma parede estava derrubada onde o evangelho se faz presente (cf. Gl 3.28; Ef 2.14).
Todavia, a primeira dúvida da mulher, reveste-se de uma forma que carece uma análise hermenêutica mais profunda, teologicamente, mas também literária, do ponto de vista do que esconde a linguística, com o estilo da pergunta, com ironia e lógica, desconhecimento e espanto.
“Disse-lhe a mulher: “Nem sequer tens um balde (ἄντλημα) e o poço é fundo! Donde é que tiras a água viva?” ( Edição Comum BPT, 2015-555)
A SEMIÓTICA DA ÁGUA
O manancial arquetípico da água perpassa pela narrativa joanina, desde o princípio do capítulo 4 do Evangelho. Inicia-se com a tipologia e a semiótica para além do simples acto do baptismo (águas): “Jesus soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele(…) baptizava mais discípulos do que João”.
A água do poço de Jacob, acima do seu referencial histórico, era água de manancial, de acordo com o comentário da conhecida Bíblia de Jerusalém ( Desclee de Brouwer, NT, 1976-128), simbolizava a vida dada por Deus, de grande importância no Oriente.
Quando na literatura ocidental, o poeta T.S.Eliot (1888-1965) deixa escrita uma das grandes poéticas das primeiras décadas do século XX,  a obra “A Terra sem Vida”, como uma profecia da Europa que será um  “amontoado de pedras” nas décadas de 30 e 40, deixa o grito da necessidade da “água nascente”, “se houvesse água parávamos e bebíamos”, “se houvesse água e não rocha”, mas numa explícita referência  a Jeremias, 2,13, afirma que há “cisternas vazias” e “poços sem água”.

A DÚVIDA DA SAMARITANA RECOMPENSADA
Cristo revela a sua identidade, não apenas a uma mulher, mas a alguém samaritano.  A mulher, entre os judeus, não era senão um objeto pertencente ao marido, pertencia ao lote do seus imóveis, dos seus servos, numa posse legal que o Evangelho e as Cartas paulinas vieram abolir.
O pedido de Jesus, defendem exegetas e sociólogos da educação,  foi no sentido não apenas da sua necessidade fisiológica, mas tendo em vista o seu método para mover os ouvintes para revelarem atitudes e acções. Diz-se que usou métodos andragógicos (método de ensino para os adultos) em seu ministério de ensino e pregação: lições práticas (e referem João 4.1-42)  Aqui, Jesus Cristo utilizou a simbologia da “água” para ajudar a mulher a perceber o que é a “água viva”, teologicamente.
Na continuação da sua lição e auto-testemunho sobre a água, para além do seu sentido “líquido”, isto é, volúvel, transitório, efémero, Jesus indica usando uma alocução kerygmática ( como se pregasse): “Se tu conhecesses o que Deus tem para te dar, e quem é aquele que está a pedir água, tu lhe pedirias e ele dava-te água viva” (BPT).
A esta afirmação, a mulher samaritana responde com a lógica do que apenas vê,  dos limites da realidade, o que está diante dos seus olhos, existe mesmo ainda que velada, uma tentativa de ironizar, “nem sequer tens um balde” ou “donde é que tiras a água viva” (NT A Boa Nova Para Toda a Gente, Sociedade Bíblica, 1979)
A POÉTICA DA NARRATIVA
Rosanna Eleanor Leprohon, que foi poeta e novelista canadiana, escreveu um extenso poema nos finais do século XIX, que as águas de que Jesus falou continuam “puras e brilhantes”, “águas vivas que fluem”.  E referiu-se à samaritana como “Filha de Samaria” cujo testemunho perdura pelos séculos fora. Que devemos esquecer “pensamentos de orgulho terreno e vãs esperanças na ganancia do mundo, / Basta-nos beber uma vez dessa água, nunca tornaremos a ter sede”

© João Tomaz Parreira

“Devoção mariana e (re)construção do feminino no Cristianismo”

“Devoção mariana e (re)construção do feminino no Cristianismo”

SamuelPinheiro _ 2016out23 7

O Instituto de Cristianismo Contemporâneo (ICC), que integra o centro de investigação da Área de Ciência das Religiões (Lusófona (CICMER) organizou a sua Linha de Investigação em sete Unidades de Investigação do qual uma delas é a que nos serve de título e que, sendo uma pessoa que se habituou a assumir posição pública sobre as suas convicções, não lhe posso passar ao lado, porque me provocou uma reflexão.
É com profundo reconhecimento pela sua influência na formação de gerações nas últimas décadas que lembro o saudoso teólogo evangélico John Stott e o Instituto de Cristianismo Contemporâneo que fundou em Inglaterra. Instituto que tinha por base não o subjetivismo opinativo de quem quer que seja, mas uma busca permanente e contínua no texto bíblico face às realidades do nosso quotidiano contemporâneo e que o texto inspirado trata de forma inultrapassável. John Stott foi um eximiu pensador e escritor e tenho um profundo apreço pela obra que nos deixou e que para mim tem sido de grande ajuda na carreira cristã. É que na verdade não há cristianismo fora das balizas da revelação escrita que é a Palavra de Deus, o resto pode ter o título que tiver mas andará por fora da essência do que é ser cristão. O cristianismo articulado em Jesus Cristo não pode prescindir ou secundarizar a Sua Palavra. O Cristianismo não é resultado do que eu queira criar, mas do que Ele é, da Sua vida e do Seu ensino. Isto mesmo ficou muito bem traduzido num dos seus muitos livro “Ouça o Espírito, Ouça o Mundo”. Ouvir a realidade que nos circunda é essencial para quem está comprometido com Cristo, mas sempre para responder a essas interpelações com a revelação do Espírito constante da Bíblia enquanto Palavra de Deus. Não reconheço outra forma de estabelecer um Instituto de Cristianismo Contemporâneo, e por muito que isso pareça retrógrado ou conservador, não consigo falar de cristianismos contemporâneos. Cristianismo só há um e tema ver com a pessoa de Jesus Cristo, por Ele próprio, nas narrativas dos que lidaram de perto com Ele desde o início e foram testemunhas da Sua ressurreição.
Considero logo à partida que o tema está eivado de uma inconciliável contradição, ou falamos de cristianismo ou falamos de marianismo. Os dois não podem existir em simultâneo. Cristo não está dividido. A devoção a Maria, ou melhor dizendo, a adoração de Maria, porque é disso que se trata, não pode coexistir biblicamente com Jesus Cristo. Isso é bem visível na nos evangelhos e em toda a restante literatura inspirada do Novo Testamento. Custa-me mesmo a acreditar como é que com honestidade se pode sugerir semelhante proposta face ao que encontramos no texto bíblico.
O marianismo é uma construção herética do catolicismo romano sem uma ponta de suporte no ensino e prática da igreja neotestamentária. Eu sei que isto pode parecer ofensivo e pouco tolerante para o pluralismo e relativismo religioso que impera. Mas a questão é qual o fundamento que temos para estabelecer o que é e o que não é a fé cristã. Nem tudo pode caber na fé cristã só porque queremos ser simpáticos. Isto não é uma questão de simpatia. Maria foi uma pessoa muito especial na graça divina para ser a mãe do Salvador. Mas daí a ser catapultada para o que o marianismo tem realizado vai uma distância que o evangelho não respalda, que o evangelho contraria e que, no meu entender, fere os próprios evangelhos na sua centralidade em Jesus Cristo.
Defendo que devido à influência negativa do catolicismo no sul da europa, não temos apreciado nem dado o devido relevo à pessoa de Maria como mulher piedosa, temente a Deus, disponível para que nela se realizassem os propósitos e desígnios divinos. Nesse aspeto e em outros ela é para nós um estímulo à nossa própria dependência de Deus. Agora isso é totalmente distinto do marianismo nem é compaginável com ele. Não se trata de um marianismo moderado face a um mais amplo. Não há qualquer laivo de marianismo no texto bíblico e isso deveria ser suficiente para quem aborda a questão.
Associar o marianismo ao feminino construído ou reconstruído é despropositado do nosso ponto de vista. O evangelho sempre valorizou a mulher. A escolha de Maria é um dos exemplos, mas não é o único. As mulheres apoiarem o ministério público de Jesus. Jesus ministrou às mulheres como aos homens. Foram as mulheres as primeiras a terem um encontro com Ele depois de ressuscitado, e as primeiras que se tornaram porta-vozes da Sua ressurreição. Na história da igreja relatada no livro de Atos, e a história ao longo de todos os tempos, as mulheres têm um papel que não pode ser subalternizado ou minimizado. Não negamos que existiu e continua a existir uma força de oposição a um papel mais destacado e interveniente das mulheres na liderança eclesial. Começo por considerar que a questão colocada em termos de títulos perde a sua pertinência face ao evangelho. Para Jesus o que importa é que todos sejamos servos e servas! A ideia de hierarquia com a figura do papa no topo, não corresponde ao que a Bíblia nos apresenta. Por isso a prescrição de cotas na organização eclesial é despropositada, porque para a nomenclatura bíblica, a igreja não é uma organização mas um organismo e como todos bem sabemos num corpo todos os órgãos são igualmente importantes independentemente do valor que lhe possamos atribuir.
Voltando à origem da nossa reflexão o marianismo não serve nem nunca serviu a (re)construção do feminino no cristianismo, mas a uma heresia que nega e se opõe ao verdadeiro cristianismo. A idolatria que subjaz ao marianismo é por si só suficiente para evidenciar a sua oposição à verdadeira fé cristã. Mas as doutrinas que lhe estão ligadas são uma afronta ao ensino bíblico: virgindade perpétua, maternidade divina, imaculada conceição, coredentora, intercessora e medianeira, assunção ao céu, rainha do céu.
O facto é que o catolicismo romano que está na origem do marianismo e da mariolatria, e de todas as doutrinas que lhe estão subjacentes, tem sido quem mais se tem oposto a uma participação e intervenção das mulheres de um modo mais pleno, ao contrário de um número muito significativo de igrejas reformadas, protestantes e evangélicas.
O feminino no cristianismo não vive em função de heresias, mas da sua natureza em Cristo que é tudo e em todos.

“Foram renovados de acordo com a imagem do próprio Deus e criados por ele para o conhecerem. Assim, não se voltará a pôr mais a questão de ser ou não ser judeu, de estar circuncidado ou não, de ser ou não civilizado, estrangeiro, escravo ou livre, pois Cristo é tudo e está em todos.” (Colossenses 3:10,11 – BPT)
“Pois pela fé que vos une a Jesus Cristo são todos filhos de Deus. Com efeito, todos os que foram baptizados em Cristo revestiram- se das qualidades de Cristo. Não há diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homem e mulher. Agora constituem um todo em união com Cristo Jesus. E se são descendência de Abraão e herdeiros de acordo com a promessa.” (Gálatas 3:26-29 – BTP)

 
Samuel R. Pinheiro
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a.C. – d.C.

a.C. – d.C.

SamuelPinheiro 5

 A História divide-se entre antes e depois de Cristo. Biblicamente podemos dizer que Cristo é a chave da História tanto no antes como no depois. O antes e o depois é definido pela presença em carne e osso, na forma humana, de Deus entre nós. Pode até acontecer que um dia um qualquer anticristo imponha que o tempo se conte de modo diferente. Nesta corrente de acontecimentos em que tudo o que afirme Jesus Cristo é considerado uma afronta para o relativismo e pluralismo religioso tudo pode acontecer, por mais louco e absurdo que possa parecer. Mas na eternidade, antes de todas as coisas existirem Jesus é a chave da História. Ou seja em Jesus temos Deus e o Homem na terra – 100% Deus e 100% Homem. Um mistério certamente, mas na natureza e na essência é isso que sucede. Não temos duas pessoas ou duas personalidades, mas uma só Pessoa e uma só Personalidade. Essa Pessoa e essa Personalidade é Deus connosco.
A realidade é que esta verdade no tempo é apenas o reflexo da verdade eterna. Tudo o que tem a ver com o plano divino e com o Seu mover na História, existe desde sempre na eternidade. Antes da fundação do mundo o Cordeiro de Deus – Jesus Cristo, foi destinado para morrer a nosso favor conforme nos informa o Espírito Santo pelo apóstolo Pedro na sua primeira carta: “Saibam que foram resgatados daquela vida inútil que tinham herdado dos antepassados. E não foi pelo preço de coisas que desaparecem, como a prata e o ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, como o de um cordeiro sem mancha nem defeito. Ele tinha sido destinado para isso, ainda antes da criação do mundo, e manifestou-se nestes últimos tempos para vosso bem. Por meio dele crêem em Deus, que o ressuscitou dos mortos, e o glorificou. E assim a vossa fé e esperança estão postas em Deus.” (1 Pedro 1:17-21 – BPT).
Na mesma linha de revelação o apóstolo Paulo fala a respeito de todos os que crêem em Jesus, e que segundo o eterno propósito divino foram escolhidos para uma nova vida segundo a Sua natureza de santidade e amor. “Pois, antes de o mundo existir, ele escolheu-nos para juntamente com Cristo sermos santos e irrepreensíveis e vivermos diante dele em amor. Ele destinou-nos para sermos seus filhos por meio de Cristo, conforme era seu desejo e vontade, para louvor da sua graça gloriosa que ele gratuitamente nos concedeu no seu amado Filho.” (Efésios 1:4-6 – BPT).
O amor das três pessoas da Trindade será contemplado e usufruído na sua plenitude pela nova humanidade recriada em Jesus. Esse amor preenche de modo absoluto a eternidade no absoluto divino, e nós estamos vocacionados a contemplá-lo e a vivenciá-lo: “Pai! Que todos aqueles que me deste estejam onde eu estiver, para que possam contemplar a glória que me deste, porque tu amaste-me antes que o mundo fosse mundo.” (João 17:24 – BPT).
O nascimento de Jesus a que se refere o Natal, é o acontecimento na História do que desde antes da criação de todas as coisas Deus tinha determinado que haveria de ser. Deus não foi surpreendido pela decisão do homem de romper com uma vida e natureza em conformidade com a Sua natureza e essência. O homem preferiu a ciência do bem e do mal e ainda hoje se debate com toda a sorte de frutos amargos, envenenados e podres que daí decorrem. O homem foi criado para viver no amor divino, e não na dialética do bem e do mal.
Um dia destes o tempo como o conhecemos atualmente, marcado pela morte, sofrimento, dor, miséria, fome, guerras, violência, iniquidade, corrução e imoralidade, desaparecerá por completo, e um novo tempo cheio do que a eternidade divina representa será instaurado. Deus habitará com os homens e até os instrumentos de guerra serão transformados em utensílios de lavoura, a ovelha pastará com o leão e a criança brincará com a áspide. Nesse dia céu e terra serão uma mesma realidade.
O plano divino consiste em reunir tudo em submissão a Jesus Cristo. “Deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade e o plano generoso que tinha determinado realizar por meio de Cristo. Esse plano consiste em levar o Universo à sua realização total, reunindo todas as coisas em submissão a Cristo, tanto nos Céus como na Terra. Foi também em Cristo que fomos escolhidos para sermos herdeiros do seu reino, destinados de acordo com o plano daquele que tudo opera conforme o propósito da sua vontade. Louvemos, portanto, a glória de Deus, nós que previamente já pusemos a nossa esperança em Cristo.” (Efésios 1:9-14 – BPT). Natal é Deus tornando-se parte da humanidade para a redimir e resgatar, trazendo-a de volta ao Seu amor. O amor triunfa radicalmente na vida e morte de Jesus, bem como na Sua segunda vinda para estabelecer novos céus e nova terra. Celebrar o Natal é celebrar esta vitória na nossa vida e na História!
Samuel R. Pinheiro
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O PRINCÍPIO DA NOITE DA TRAIÇÃO – PERSPECTIVAS

O PRINCÍPIO DA NOITE DA TRAIÇÃO – PERSPECTIVAS

JTP18
© João Tomaz Parreira

Da nomeação à representação icónica do traidor e da aceitação por parte deste de trair Cristo, os Evangelistas são comedidos em revelar explicitamente o nome de Judas. Só o Evangelho de Mateus, em discurso directo, nos informa que Jesus disse ao próprio que era ele, Judas, que o trairia, porque este lhe perguntou. “Porventura sou eu, Rabi?”, “ Tu o disseste.” – respondeu Jesus Cristo.
E cremos por todos os contextos dos sinópticos e do impar Evangelho joanino, que nenhum dos outros onze discípulos soube clara e explicitamente quem seria o traidor. É, todavia, João quem revela o mistério a João.
Visto de longe, isto é, perspectivando este acto dito fundacional que levou Jesus Cristo historicamente ao Calvário, baseando-nos nos quatro Evangelhos, permitimo-nos pensar o que estava a ocorrer naquele momento, psicológica e fisicamente, com palavras e olhares. Uma comoção, diríamos uma perturbação da alma colectiva que entristeceu o Cenáculo como uma preparação para a Morte.
Jesus Cristo quis muito aquela última Ceia com os discípulos. “ Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça” – confidenciou-lhes o Mestre. A hora em si mesma já estava trespassada de tristeza. Comer sozinho seria experimentar ou sofrer uma solidão peculiar. A partilha de comida e bebida, por outro lado, chegava até ao mais íntimo da condição sócio-cultural daqueles dias.
O filósofo e crítico literário George Steiner (Paris, 1929-), a este propósito escreveu um célebre ensaio denominado “As duas Ceias” (Two Suppers), no qual compara a Última Ceia dos Evangelhos e “O Banquete” de Platão” sob a égide do Amor Ágape, que, segundo ele, está no conteúdo de ambas.
Aquele filósofo parece privilegiar na Última Ceia o que poderia ter sido Alegria e foi Tristeza, do ponto de vista humano, e não foi só por causa do anúncio do Mestre sobre “alguém” dos doze que o iria trair. Foi também pela Sua solidão, não obstante estar acompanhado. Na obra “O Leitor” narra uma parábola: numa remota vila da Polónia havia uma pequena sinagoga. Uma certa noite enquanto fazia a sua ronda, o Rabi entrou e viu Deus sentado a um canto escuro. Caiu por terra e gritou: “Senhor Deus o que fazes aqui?” O Senhor respondeu-lhe não com voz de trovão, nem num turbilhão de vento, mas com uma voz suave: “Estou cansado, Rabi, estou cansado até à morte”.
Do mesmo modo, aquela Última Ceia antecipava já a tristeza até à morte de Jesus no Getsémani.
“Um de vós me há-de trair”
Há uma questão simples que carece de respostas há dois milénios, para podermos entender o ambiente do Cenáculo.
Na arte pictórica interpretativa do momento do anúncio da traição, Leonardo da Vinci pôs ao nosso dispor a surpresa e a tristeza dos apóstolos, no mural “A Última Ceia”, sobretudo o choque que o rosto de Judas reflecte. Mas isso foi na Arte, na realidade andou por estes caminhos do espanto?
Partindo da chamada “harmonia dos Evangelhos”, da JFA revista e corrigida, percebemos que sim, mas pergunta-se:
1.Jesus falou em voz alta?
2. Só os que estavam perto de Jesus ouviram?
3. Ouviram o nome ou discerniram quem era o traidor?
4. Viram todos a quem Jesus deu o bocado de pão ensopado?
5. Todos tomaram atenção à saída de Judas depois disso?
Ficam as questões.
As respostas estão obviamente nos quatro Evangelhos, mas o mistério também. Mas é o chamado Evangelho Teológico, como era conhecido o de João logo nos inícios da era cristã, que reproduz toda a factualidade e o cerne psicológico da particularidade da ocasião.
Mateus e João desenvolvem na sua diegese o conflito interior pelo qual passaram os Doze. Ao descreverem esse conflito fazem com que o leitor o sinta, mesmo sem o auxílio, por exemplo, do melhor retrato já referido que é, sem dúvida, a tela de Leonardo da Vinci. Acerca desta pintura escreveu alguém que a mesma “não é tanto uma excelsa obra de arte. É igualmente uma minuciosa representação da resposta dos Doze às palavras de Jesus: “Um de vós me há-de trair”.
À luz da historiografia bíblica de hoje, dir-se-ia, com um pouco de exagero, que o acontecimento poderá levar-nos à política religiosa judaica de então e, assim, à religião, estando ambas em conflito. A traição e a necessidade de que assim começasse a acontecer profeticamente para a nossa Salvação.
“ E se alguém lhe disser: Que feridas são estas nas tuas mãos? Dirá ele: São feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos.” (Zac XIII, 6)
E não só os cravos perfuraram as mãos do Filho de Deus, mas também a traição do amigo que lhe feriu a alma. Nunca se é traído senão pelos seus, costuma-se dizer. Quem sabe se não foi pela traição no Hamlet de Shakespeare que o dito se generalizou.  ©

A RESPIGADORA, UMA FIGURA FUNDACIONAL DO VELHO TESTAMENTO

JTP15Ao contrário do que escreve o poeta John Keats (1795-1821), na célebre Ode a
um Rouxinol sobre Rute, atribuindo-lhe um coração triste “quando recordava o
seu lar e chorava diante das searas dum país estrangeiro”,  a verdade é que
esse pathos nostálgico da saudade se transformou em ânimo para aceitar a
vida nova em terra estranha e um trabalho humilde que, aparentemente, a
secundarizava.

No livro bíblico de Rute, canonicamente colocado entre Juízes e os I e II livros
de Samuel, o profeta que poderia ter sido rei numa teocracia, a diegese é um
relato que tem a força da emocionalidade e do profético, da beleza dos
sentimentos à necessidade da afirmação messiânica no meio de um povo
israelita,   governado por Deus através de juízes, que o próprio Senhor suscitou ( Juízes, 2,16)
Em síntese, escreve um comentarista da Bíblia Sagrada JFA, da Editora Vida
Nova, “O livro de Rute descreve a direcção providencial de Deus na vida de
uma família israelita.”

Tal narrativa de vida não deixa de ter a poética – no sentido aristotélico que
determina que sentimos deleite perante o que lemos – a valorizar os
acontecimentos e a conferir-lhe uma estética que é o Belo na vida de Rute e o
que esta representa na genealogia do rei teocrático David, cuja linhagem vai
até Jesus.

OS VERSOS DA ODE DE JOHN KEATS

A celebrada Ode tão cheia de melancolia do canto do rouxinol, que o poeta
romântico inglês escreveu em 1820,  traduz uma visão da vida humana
transitória não isenta de sofrimento e de amargura, em contraste com o alegre
e despreocupado canto do rouxinol.
Esse  canto “pleno e calmo” da ave de Keats, no espaço textual da ode,
aparece com uma equiparação, que o embeleza pelo oposto,  entre a tristeza
do poeta perante a velhice, a mortalidade, o desejo de voar para fora do mundo e a imaginada tristeza que o poeta inglês pensa ver no semblante e na alma de Rute. Ele supõe que esta mulher da Bíblia, ao encontrar-se perante uma gente e uma terra estranhas, sofre da melancolia da saudade.

Os versos, repetindo-os, são os seguintes: “O espírito triste de Ruth, quando
recordava o seu lar / e chorava diante das searas dum país estrangeiro.”
(“Poesia Romântica Inglesa (Byron,Shelley,Keats)”, Inova, 1977, pág.88)
A expressão da natural tristeza e saudade que acompanha quem sai da sua
terra para outra estranha, no caso de Rute, não é contudo mostrada como tal
nas Belas-Artes do Clássico e do Barroco. Por exemplo nas telas a óleo de
Nicolas Poussin (1664) e de Barent Fabricius (1660), ambas revelando o
encontro feliz entre Boaz e Rute.

O DEVASTADOR CAPÍTULO 1 DO LIVRO

O que se iniciou como  tragédia, não era senão o começo do Plano divino.
A partir de um simples e pequeno núcleo familiar,  sem importância social aos
olhos humanos, Deus iria agir universalmente na História.
É, literariamente, uma saga familiar cuja narrativa se exprime num estilo
poético, dolorosamente poético, apontando de igual modo para uma história de
idealidade e de nobreza de carácter.
“Não me instes para que te deixe, e me afaste de ao pé de ti; porque aonde
quer que tu fores irei eu”( 1,16).
A dialogia (a estrutura de diálogo) que se percebe  nesta resposta de Rute à
sua sogra Noemi, desenvolve-se com qualidade visivelmente de poesia:  “ e
onde quer que pousares à noite ali pousarei eu”; como a própria menção do
estado converso de Rute ao Deus de Israel, é feita numa frase lapidar,
metacultural, metahistórica, numa expressividade idiomática antiga: “o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”.

A narrativa descritiva da chegada de Noemi e Rute a Belém é em si mesma um
quadro em que a fraternidade, a alegria do reencontro fraterno resolve o
problema da saudade que estaria nos olhos interiores dos familiares e vizinhos, que agora eclodia em alegria comovida: “ entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?”, (1,19)
Noemi, que é ainda a figura central da diegese, ciente do drama que vivera,
usa uma metáfora entre a imaginação e a realidade, ao declarar: “Não me
chameis Noemi (i.é. agradável); chamai-me Mara; porque grande amargura me  tem dado o Todo-poderoso”, (1,20)

A CENTRALIDADE DE UMA PERSONAGEM REAL

O facto de se considerar um livro canónico, integrando as Sagradas Escrituras
veterotestamentárias, de ser mesmo um livro da liturgia judaica durante a festa
do Pentecostes, tal não invalida que possa ser tratado como uma das mais
belas peças literárias da Bíblia Sagrada.
Assim, Rute é uma heroína em consequência da tragédia inicial que reverte em beleza e bênção.
Rute diante do que parece ser uma adversidade, adopta, pragmaticamente,
um modo de sobrevivência que só pode ser o sentimento e o bálsamo de Deus
a trabalhar no seu espírito.
No nosso século, com os instrumentos de análise do texto literário, lemos as
expressões do pensamento do puro amor -.ágape-,  sem sexismo ou
machismo prevalecente, uma antecipação  do romantismo, como um valor
imortal  no remotíssimo século XIII a.C.
“ Deixa-me colher espigas” disse Rute a Boaz. Este responde: ”Não ouves filha
minha? Não vás colher a outro campo, nem tão pouco passes daqui.(…)Os
teus olhos estarão atentos no campo que segarem(…), não dei ordem aos
moços, que te não toquem? Tendo tu sede, vai aos vasos, e bebe do que os
moços tirarem” ( 2, 8-9)
“Então ela caiu sobre o seu rosto, e se inclinou à terra” (2,10). Baixou os olhos,
por certo ruborizada. É poesia porque tem estrutura de verso e é simbólico de
uma atitude de respeito bem oriental. “Por que achei graça aos teus olhos”.
É um expressivo exemplo de lirismo que embeleza a humildade, não
a subserviência.  Um dos grandes poetas evangélicos clássicos brasileiros,
Jonathas Braga, escreve em “O Milagre do Amor” (poema longo sobre o livro
de Rute, de 1969): “Quem é essa criatura angelical que cisma / e a luz do seu
olhar sobre outro olhar abisma?”
Assim é o Livro bíblico de Rute: um quadro luminoso da gratidão, do apego aos
mais velhos e do amor com A maiúsculo.

© João Tomaz Parreira